terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vitória!















À plataforma Prou, ao parlamento catalão, a todos os catalães e demais espanhóis que lutam contra a tourada, a todos os que colocaram o sofrimento dos animais nas manchetes dos principais diários espanhóis, a todos aqueles que conseguiram que mais nenhum touro seja torturado naquela região (esperemos!), o meu mais sincero obrigada.

(A foto é da agência Efe)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Avivar a memória



Estava lá tudo. Podiam faltar os rostos, mas as directivas do que viria a ser o novo executivo laranja já há muito eram conhecidas. Com mais ou menos medida, com mais ou menos furo num cinto já de si apertado, o povo não se pode queixar de não saber no que se estava a meter.

Agora vêm as mexidas no Código de Trabalho e a vontade expressa em alargar o conceito de justa causa (recordam-se da "razão atendível"?)

Mas o povo é que vota, o povo é manda e o povo é que empobrece.

E quem sabe se isto fica por aqui. Recordo o post Manual de governo ou a fúria neoliberal em 12 passos, onde elenquei algumas das orientações do então futuro governo anunciadas pela Visão. Como esta: "Reduzir os pagamentos por trabalho ao fim-de-semana e feriados, como alternativa ao corte de salários"



E ainda não se conhecia o buraco da Madeira. Agora pelo menos já sabemos para onde vai uma boa parte do que nos tiram.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Os dias do abismo

















Há dias em que nos sentimos assim: vazios por dentro. Como se a Terra tivesse desabado sobre as nossas cabeças e com ela levado qualquer vestígio de alma que nos habite, supondo que somos habitados por tal coisa. À superfície, um corpo a vaguear sem destino nem sequer objectivo, que apenas vagueia por não ter outro remédio.

Em dias assim, nada do que fazemos parece encaixar. O trabalho torna-se em algo monótono e quase irrelevante comparado com o abismo que nos suga, e a da concentração para o executar em condições aceitáveis é melhor nem falar...
A comida não desce e as noites são passadas em claro.
Os livros e a TV distraem por minutos, até que a cabeça imerge para junto da alma sugada e o que lemos são só palavras desconexas; o que vemos são só imagens soltas.

Os amigos não nos distraem; os convívios não nos roubam ao abismo. E se tentamos fugir ao desespero por uns momentos, ele teima em voltar.

E pensar que quem abriu o abismo não sabe nem como ele é.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O dia da entrevista



















O momento era solene: após meses de envios sucessivos de currículos, um telefonema para uma entrevista.
Todos os pressupostos vinham à cabeça: a indumentária, a postura, a tentativa de não esfregar as mãos, de não engasgar, de não ir cheia de tralha, de não parecer desajeitada, etc etc etc.

À chegada, a primeira surpresa: a morada indicada para o dito momento solene não era a da entidade empregadora, mas sim a da agência de recrutamento (que depois na prática acaba por ser entidade empregadora, mas isso são detalhes).
Com esta constatação, senti a pressão a aliviar e a ânsia da formalidade a diminuir. Umas perguntas, um teste psicotécnico, uma conversa descontraída.

Aceites as condições, há agora que aguardar pelo feedback da empresa-cliente.

Aguardemos, pois...

(A imagem foi "roubada" ao Pópulo)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Da chuva, dos livros e dos cães























O Porto estava ao rubro no último fim-de-semana. Difícil era mesmo escolher. Feira do Livro, FITEI, Serralves em Festa, animação variada na baixa...name it!

Parte da escolha já estava feita, com a ajuda do Ípsilon: "A Colecção Privada de Acácio Nobre", peça a exibir às 18h30 de sábado no Teatro Carlos Alberto. Antes, a Feira do Livro, e estava o plano delineado.

Em Braga, deixei o calor insuportável e a caravana do PSD. Chegada ao Porto, rapidamente percebi que os óculos de sol eram supérfluos e a camisola afinal até ia dar jeito.

A chuva apanhou-me, pois, em plena Feira...ao ar livre. Não é que a Avenida dos Aliados não fique ainda mais bonita povoada de livros, mas para quem se passeia sem guarda-chuva o cenário não é o melhor. Mas já que estava lá, que se dane a chuva! Ainda deu para comprar o livro de Raquel Varela sobre a história da intervenção do PCP no pós-25 de Abril e quase ser acusada de furto. Sim...

O simpático senhor que me atendeu explicou que o pagamento era feito numa área central, e que até lá eu podia "circular à vontade". Pois eu fiz jus à sugestão e circulei...até demais! Passei uma barreira quase imperceptível (depois dela a Feira continuava) e lá veio o simpático cavalheiro explicar que afinal não dava para circular tão à vontade quanto isso. Tudo isto sob o olhar desconfiado de um dos seguranças...

No percurso até ao teatro, nova carga de água, compensada depois com chá (intragável mas servido com muita gentileza) e um lacinho para o cabelo. Sim, um lacinho. Tudo isto fazia parte do enquadramento da peça. Vejam-na, um dia, e vão perceber.

É claro que tanta água deixa as suas marcas, e segunda de manhã a garganta lá se começou a ressentir. À tarde, antes de mais uma jornada de canil, estava pior. Às 17h, desaba um aguaceiro que quase faz desabar o próprio canil. Pronto, vá, só foram alguns galhos.
Missão: resgatar os animais do perigoso passeio. Voluntárias para a chuva, voluntárias ensopadas.

Aguardei com expectativa o que o dia de hoje ia trazer, mas eis que a dor desapareceu e os primeiros sintomas de gripe parecem abrandar.

Há dias assim, de sorte.

(A imagem veio daqui, também a propósito de uma Feira do Livro)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Brasil e Uganda nos extremos do arco-íris














Alexandra Lucas Coelho deu ontem a conhecer no PÚBLICO o Brasil "mais livre e democrático" nascido de uma deliberação do Supremo Tribunal que reconhece, por unanimidade, "a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar". Uma breve passagem pelo texto permite concluir que a homossexualidade ainda é vista com desconfiança, para recorrer a um eufemismo, por boa parte dos brasileiros. No país do Carnaval, conta a repórter, há casos de travestis assassinados em todas as cidades. Não surpreende, por isso, que a decisão seja considerada histórica e provoque uma onda de esperança quanto à diminuição da violência em relação aos homossexuais.

Do outro lado do Oceano, no Uganda, o parlamento poderá aprovar, dentro de algumas horas, um projecto de lei que prevê a aplicação da pena de morte a homossexuais. Junte-se a esta proposta uma outra: a de atribuir uma pena até 3 anos de prisão a quem for conhecedor de casos de homossexualidade e não os denunciar às autoridades. Depois do assassinato de um activista LGBT, a aprovação desta lei incentivadora da bufaria e do pânico generalizado pode ser o mote para uma escalada brutal da violência.
A petição para tentar evitar um tamanho desrespeito pelos direitos humanos corre aqui.
Veremos se o Uganda também acorda mais livre.