sábado, 4 de fevereiro de 2012

D. Palmira

















Conheci D. Palmira há um bom punhado de meses durante uma viagem de comboio. A razão para só agora escrever sobre ela é aquela que infelizmente usamos para muita coisa: "depois faço isso". Com o "depois" vem a inevitável perda de memória e de detalhes interessantes, mas quanto a isso já nada posso fazer. Apenas me redimo escrevendo o possível.

D. Palmira apanhou o comboio da Linha do Douro no Porto para sair em Peso da Régua, e eu "apanhei-a" em Ermesinde ao trocar de linha. D. Palmira vinha acompanhada de duas amigas, as três dispostas a gozar um belo dia de sol na Régua.

Sentei-me na cadeira vaga para logo perceber que D. Palmira não tem papas na língua. Dos gracejos sobre tocas e coelhos alusivos às recente eleições legislativas, a conversa fluiu para a família e divertimentos. D. Palmira não perde um passeio ou excursão, mesmo que isso implique prescindir da lida doméstica. Afinal a casa é arrendada, e o lixo bem se pode varrer para baixo do tapete. Os autocarros e os comboios é que não esperam por ela.

D. Palmira é tão desembaraçada com o lazer como com a família. Da filha, diz que é gorda, para logo acrescentar que não o seria se não dormisse até ao meio-dia. Já os netos, só querem dinheiro. E os bisnetos, que será deles? Sim, porque D. Palmira já os tem.

Mas não é neles que D. Palmira pensa agora. Pensa nas frutas que vai comprar e no que mais vai fazer ao chegar à Régua, que o comboio já se aproxima.

"A menina onde sai?"
"No Pocinho."
"É uma viagem muito bonita, temos de lá ir."

sábado, 15 de outubro de 2011

Outra vez?

Apesar de esta ser uma versão recente, é altura de a recuperar.
Se até a Comissão Europeia fica reticente com tanta austeridade, que será de nós?

Já agora, é bom saber que o orçamento austero não acaba com os "bons" hábitos: que o diga o ministro Miguel Macedo, a saborear as novas medidas num caro restaurante de Portalegre.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Alô e...até sempre!


Soltei muitas gargalhadas com as peripécias de René, os chavões de Michelle, a volúpia das empregadas, os tiros ao lado de Herr Flick, os maneirismos do tenente Gruber e toda a atmosfera de Alô Alô.

Fazer comédia a partir da guerra sem insultar a memória dos acontecimentos foi, na minha opinião, um grande feito.
O recurso aos estereótipos (que não me parece ofensivo, dado que todos eram estereotipados) foi conseguido de forma harmoniosa e ajudou a preservar na memória aquela versão dos acontecimentos, sem tragédias.

Esta noite, um dos argumentistas, David Croft, actualmente a residir em Portugal, deixou-nos.
Fica o excerto, para (o) recordarmos.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Vitória!















À plataforma Prou, ao parlamento catalão, a todos os catalães e demais espanhóis que lutam contra a tourada, a todos os que colocaram o sofrimento dos animais nas manchetes dos principais diários espanhóis, a todos aqueles que conseguiram que mais nenhum touro seja torturado naquela região (esperemos!), o meu mais sincero obrigada.

(A foto é da agência Efe)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Avivar a memória



Estava lá tudo. Podiam faltar os rostos, mas as directivas do que viria a ser o novo executivo laranja já há muito eram conhecidas. Com mais ou menos medida, com mais ou menos furo num cinto já de si apertado, o povo não se pode queixar de não saber no que se estava a meter.

Agora vêm as mexidas no Código de Trabalho e a vontade expressa em alargar o conceito de justa causa (recordam-se da "razão atendível"?)

Mas o povo é que vota, o povo é manda e o povo é que empobrece.

E quem sabe se isto fica por aqui. Recordo o post Manual de governo ou a fúria neoliberal em 12 passos, onde elenquei algumas das orientações do então futuro governo anunciadas pela Visão. Como esta: "Reduzir os pagamentos por trabalho ao fim-de-semana e feriados, como alternativa ao corte de salários"



E ainda não se conhecia o buraco da Madeira. Agora pelo menos já sabemos para onde vai uma boa parte do que nos tiram.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011