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domingo, 20 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Horrores aqui ao lado
Documental Granjas de Cerdos: una investigación de Igualdad Animal from Igualdad Animal on Vimeo.
É em Espanha mas poderia ser em qualquer lado.Tudo isto para alimentar os desvarios consumistas? Não estará na altura de abrir os olhos para estas perversidades? Afinal está nas nossas mãos mudar isto! Contra a vontade de todos não há nenhum lobby que possa. Por isso deixemo-nos de hipocrisias e de coisas como "não quero ver isso que me faz impressão", para airosamente taparmos o sol com a peneira e darmos uma de sensíveis.
Basta de alimentar esta indústria. Basta de torturar os outros.
P.S.: Parabéns à associação Igualdad Animal por este trabalho de dois anos.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Mais um referendo na Suíça, alguém reparou?

Cem mil suíços quiseram saber a opinião dos restantes compatriotas acerca da possibilidade de haver advogados a defender animais. Note-se que em Portugal os animais são encarados, juridicamente, como objectos, portanto pensar em advogados daria no mínimo acesso directo a qualquer ala psiquiátrica. Aliás, pouco se falou do referendo. É engraçado que não passaram muitos meses desde o último referendo na Suíça, esse sim, muito badalado... Critérios, vá-se lá entender.
Prosseguindo a onda de contrariedade iniciada com os minaretes, a maioria dos suíços opôs-se a que os animais passassem a ter direito a um advogado...incitados pelo próprio governo, que encara a lei como protecção suficiente. Falou-se em intolerância dos suíços face aos muçulmanos, em medo; agora descobrimos que o medo é extensível a animais indefesos. Para a maioria, claro, porque o facto de o assunto ser referendado já merece aplauso. Mas daqui pouco mais recebeu do que indiferença.
E os advogados até deveriam ficar contentes, trabalho não haveria de faltar com certeza. O coelhinho aí de cima que o diga, bem como os seus companheiros de laboratório. Mais os bichos que não só se comem, mas também se matam alarvemente, os abandonados, os atropelados que deixam condutores inquietos...por causa dos estragos na viatura e tantos outros.
(A foto estava no blogue Holocausto Animal, que a partir de hoje passará a figurar na lista de devaneios)
terça-feira, 2 de março de 2010
Mai' nada!

Crónica de Paulo Varela Gomes, última sexta-feira, no PÚBLICO.
E está tudo dito.
Morrer como um touro
O Ministério da Cultura resolveu criar uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura a pretexto de que lidar touros seria uma tradição cultural portuguesa a preservar. Mas a tradição é mais antiga, do tempo em que humanos e animais lutavam na arena para excitar os nervos da multidão com o sangue e a morte anunciada. A piedade, que é um valor mais antigo do que Cristo, veio, na sua interpretação cristã, salvar disto os humanos. Esqueceu-se, porém, dos animais.
Há um momento nas touradas em que o touro, muito ferido já pelas bandarilhas, o sangue a escorrer, cansado pelos cavalos e as capas, titubeia e parece ir desistir. Afasta-se para as tábuas. Cheira o céu. Vêm os homens e incitam-no. A multidão agita-se e delira com o sangue. O touro sabe que vai morrer. Só os imbecis podem pensar que os animais não sabem. Os empregados dos matadouros, profissionais da sensibilidade embaciada, conhecem o momento em que os animais “cheiram” a morte iminente. Por desespero, coragem ou raiva (não é o mesmo?), o touro arremete pela última vez. Em Espanha morre. Aqui, neste país de maricas, é levado lá para fora para, como é que se diz? ah sim: ser abatido. A multidão retira-se humanamente, portuguesmente, de barriga cheia de cultura portuguesa, na tradição milenar à qual nenhuma piedade chegou. Os toureiros têm pose que se fartam (e com a qual fartam toda a gente). Pose de hombre, pose de macho. Mas os riscos que de facto correm são infinitamente menores que a sorte que inevitavelmente espera os touros, que o sofrimento e a desorientação que infligem aos touros para o seu próprio prazer e o da multidão. Dá vontade de dizer que quem se porta assim, quem mostra orgulho de se portar assim, tem entre as pernas, e não apenas literalmente, órgãos bem mais pequenos que aqueles que os touros exibem. Os toureiros são corajosos mas entram na arena sabendo que haverá sempre quem os safe, senão à primeira colhida, então à segunda. Às vezes aleijam-se a sério e às vezes morrem, o que talvez prove que os deuses da Antiguidade são justos, vingativos e amigos de todos os animais por igual.
Os touros, esses, não têm ninguém que os vá safar em situação de risco, estão absolutamente sós perante a morte. Querem os toureiros ser hombres até ao fim? Experimentem ser tão homens como eram os homens e os animais na Antiguidade: se ficarem no chão, fiquem no chão. Morram na arena. É cultura. A senhora ministra da Cultura certamente compensará tão antigo costume.
Também era da tradição, em Portugal por exemplo, executar em público os condenados, bater nas mulheres, escravizar pessoas. Foi assim durante milénios. Ninguém via mal nenhum nisso a não ser, confusamente, com dúvidas, as próprias vítimas. Até que a piedade, na sua interpretação moderna e laica, acabou com tão veneráveis tradições.
Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
A carne de cão, a carne de vaca e os falsos moralismos

Chegou-me por email a notícia de que a China está prestes a proibir o consumo de carne de cão e gato. Parece que já há jusristas a trabalhar num projecto-lei que prevê a aplicação de coimas até 5 mil euros e 15 dias de detenção a quem prevaricar.
Sempre que o assunto é o consumo de animais (para nós) de estimação, vejo repetirem-se as palavras de desaprovação e choque. Alguém é capaz de me explicar por quê? Entendo perfeitamente que seja difícil conceber a ideia de degustar um pitéu feito com o Bobby lá de casa, o que não me entra é o facto de haver quem se ache no direito de apontar o dedo a essa prática, quando o "apontador" é também consumidor de animais que sofrem as mais inimagináveis torturas antes de chegarem aos respectivos pratos. Uma visitinha a alguns matadouros e aviários talvez abrisse os olhos a muita gente. "Olha-m'esta a pregar o vegetarianismo", pensam vocês. Não (não é que seja má ideia, mas não é esse o objectivo primordial). Era só mesmo apelar ao respeito e a não entrar por falsos moralismos.
Quanto ao impacto e motivações para a medida chinesa, muito poderá especular-se. Tentativa de ocidentalização, ou pelo menos de sossegar os ânimos falsamente moralistas aqui do ocidente? E o impacto? Como serão tratados os bichos se o consumo passar a ser clandestino? O que os olhos não vêem...
A notícia pode ser consultada aqui
A foto foi "pescada" do blogue Respeito à Natureza
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Prou!, ou "basta" em catalão

O parlamento da Catalunha vota esta sexta-feira um abaixo-assinado subscrito por 180 mil cidadãos que querem o fim das touradas na região. Durante o debate, um representante da plataforma Prou! (significa "Basta", em catalão) pode fazer uma intervenção de 15 minutos, seguindo-se o debate parlamentar propriamente dito. Um "sim" encerraria a última praça de touros activa na Catalunha, a de Barcelona.
Com base no número de assinaturas conseguidas por duas organizações e nos inquéritos realizados, a activista Cármen Mendez acredita que 70 por cento dos catalães se opõem às touradas.
Se calhar está na altura de deixar de usar imagens semelhantes à de cima (que tão oportunamente "escondem" o sangue") para ilustrar Espanha. É uma questão de dar às pessoas o que elas querem, não o que alguns querem que elas queiram.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Carne sem dor

Dentro de alguns anos, imagens como a de cima poderão passar à história ou, pelo menos, deixar de ser vistas amiúde. Diz o PÚBLICO online que há um grupo de cientistas holandeses a trabalhar num "tecido fibroso comestível" cujo objectivo é substituir a carne provinda desses massacres praticados diariamente nos matadouros de todo o mundo. Para já, sabemos que esse tecido é fabricado a partir de células musculares de animais. Animais esses que terão de vir de algum lado, mas vamos afastar a ideia de porcos ou vacas "de laboratório" para não nos assustarmos quando a procissão ainda vai no adro.
Parece que os "grupos vegetarianos" já louvaram a iniciativa. Chamem-me ignorante, mas eu não sei o que é um grupo vegetariano. Posso garantir-vos que não pertenço a qualquer seita, lobby, grupo de pressão ou o que lhe quiserem chamar, e também não penso largar uma bomba num restaurante de rodízio. Aliás, conheço tão poucos vegetarianos que seria impossível formar uma milícia minimamente convincente. Adiante. É difícil proferir uma opinião sobre uma coisa numa fase tão embrionária e cujos métodos de produção se desconhecem. Que implicações terá para a saúde? Quais as contrapartidas ambientais associadas?
De qualquer forma, a ideia de desenvolver um projecto científico a pensar no bem-estar dos animais (partindo do pressuposto que a ideia é mesmo essa) é louvável. Há muita pedra a partir nesta área - e muitas vezes dá vontade de a partir atirando-a contra certas cabeças duras - mas não deixa de ser gratificante constatar que pelo menos já há debate.
(A foto é da Reuters)
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Portugal e os circos

O Governo português surpreendeu e muito com a iniciativa de acabar com a utilização de animais em circos. Para um país gritantemente alheado da protecção aos animais, esta medida deixa-nos quase como o Nobel de Obama: sem saber muito bem o que pensar. A lei não é perfeita. Os animais domésticos não são abrangidos. O circo Atlas já incorpora há muito números com cãeszinhos a fazer habilidades, não será de admirar que outros lhe sigam os passos. Os donos dos circos não podem permitir a reprodução dos seus animais, mas contra isso já vozes discordantes se insurgiram e vieram prontamente desafiar a lei. Quem fiscaliza? Quem garante que a exibição de animais em circos não vai continuar, sob a capa de reproduções acidentais, compras ilegais e sabe-se lá mais o quê? Criar a lei é um grande passo, mas é preciso garantir um acompanhamento efectivo, em vez de tratar a questão como um problema menor, como acontece em regra com as problemáticas ligadas aos animais (lembremo-nos que até o único partido português anti-rodeos fecha os olhos a dissidências nessa questão. Pergunto-me se se desse o caso de a senhora defender a privatização de todos os serviços de Salvaterra, seria tratada com a mesma tolerância. Se calhar, o que serve para uns casos, não serve para outros...).
Resta-nos estar atentos e não abandonar a luta ao primeiro sinal de entendimento.
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