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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Um pouco de semiótica, vá










Retirado do Blog da Comunicação, de Serg Smigg. Lá como cá...


PARA DESCONTRAIR

Diferentes ângulos da Notícia: “Chapeuzinho Vermelho na imprensa”

Um pouco de humor
Umberto Eco, escritor e pensador italiano contemporâneo, inseriu no estudo da comunicação um conceito a que chamou de “ruídos”, fenômenos temporais que atrapalham a recepção (compreensão) da notícia (idéia) exatamente como foi divulgada (emissão). Um desses ruídos é a maneira como a notícia é transmitida.

Veja abaixo uma demonstração bem-humorada de “ruídos” na notícia da “tragédia” de Chapeuzinho Vermelho:

JORNAL NACIONAL
(Bonner): Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um
lobo na noite de ontem…
(Fátima): … mas a atuação de um caçador evitou uma tragédia.

PROGRAMA DA HEBE
Que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas
essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é
mesmo?

BRASIL URGENTE
Onde é que a gente vai parar? Cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia para a casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! E foi devorada viva… um lobo, um lobo safado. Põe na tela. Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não.

REVISTA VEJA
Lula sabia das intenções do lobo

REVISTA CLÁUDIA
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho

REVISTA NOVA
Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama

FOLHA DE S. PAULO
(Legenda da foto) Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador
(Na matéria) Zoólogo explica hábitos dos lobos
(Infográfico) Como Chapeuzinho foi devorada e depois
salva pelo lenhador

O ESTADO DE S. PAULO
Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT

O GLOBO
Petrobras apoia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra
salvar menor de idade carente

ZERO HORA
Avó de Chapeuzinho nasceu no RS

AGORA
Sangue e tragédia na casa da vovó

REVISTA CARAS
(Ensaio fotográfico com Chapeuzinho na semana seguinte)
Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: “Até ser
devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa”.

PLAYBOY
(Ensaio fotográfico no mês seguinte)
Veja o que só o lobo viu

REVISTA ISTO É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente

REVISTA CARTA CAPITAL
Lobo Mau tinha ligações com FHC e o objetivo era desestabilizar o
governo Lula e o PT

G MAGAZINE
(Ensaio fotográfico com lenhador)
Lenhador mostra o machado

SUPER-INTERESSANTE
Lobo mau! mito ou verdade ?

DISCOVERY CHANNEL
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver

NEW YORK TIMES
Obama declara que irá enviar tropas armadas à região de conflito entre
lobos maus e chapeuzinhos

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Não podíamos? Paciência...


Carlos Mota encontra-se em parte incerta há muito. Carlos Mota já foi dado como morto. Carlos Mota pode ser inocente, pode ser culpado. Não sabemos. Mas nada dá o direito à Sic de pôr no ar uma entrevista ou fragmentos de uma entrevista cuja difusão Carlos Mota não aceitou. Não cabe a nenhum jornalista fazer de juiz ou castigar quem quer que seja, e muito menos difundir conteúdos sem autorização do visado. É feio. Não é ético. Nem sequer é serviço público, porque não vemos Carlos Mota a confessar seja o que for, só a dar justificações que nos podem parecer esfarrapadas, mas por mais esfarrapadas que pareçam isso não nos dá o direito de passar por cima de todas as regras e de nos armar no que não somos.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Hein?!


















O Espanha-Portugal ainda mal tinha começado e já os comentadores falavam de uma certa repórter a cobrir o dito, localizada atrás da baliza de Casillas: a sua própria namorada. Gostava muito de saber como é que ela fez a cobertura (do jogo, entenda-se) e como reagia às investidas à baliza do companheiro (investidas futebolísticas, entenda-se. Se é que as houve, porque eu não acompanhei o jogo). E gostava também de saber onde anda a ética profissional de quem permitiu tudo isto e da própria moçoila.
Pelo menos, ninguém pode acusar o rapaz de se ter distraído demasiado.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Parcerias...



A edição de hoje do Correio do Minho traz uma loooooonga entrevista com António Salvador, presidente do S.C. Braga e presidente do Conselho de Administração da Britalar, a empresa que está a construir o hotel de luxo junto ao centro ibérico de nanotecnologia, acidentado esta semana com um incêndio que podia ter tido dimensões menores, mas parece que as duas auto-escadas dos bombeiros estavam indisponíveis. Uma porque capotou e tem de ser arranjada e outra porque estava a trocar o pisca, segundo o nosso presidente Mesquita Machado, sempre pronto a descansar os munícipes.
Voltando ao multifacetado António Salvador, a entrevista, conduzida pelo director do diário, transparece uma liderança exemplar. Aliás, muita das intervenções do jornalista são elogios à conduta do sr presidente. Gostei desta, mas há outras pérolas:

"Sete anos e uma viragem de 180 graus... Profissionalismo e rigor de gestão. Excelentes resultados desportivos e o mostrar que é, de facto, o quarto grande de Portugal. Argumentos válidos que marcam o seu mandato...Quando aqui cheguei disse que o importante era trabalhar para a recuperação financeira e para a estabilidade desportiva. O clube tinha de ter como objectivo lutar sempre pelas competições europeias e estar sempre lá e, ser, de facto, o quarto grande do futebol português."

Viramos a última página da entrevista e o que temos? Um texto, aparentemente noticioso, assinado novamente pelo senhor director, onde se convidam todos os bracarenses a assistir ao jogo de amanhã e se promove uma "parceria inédita" entre o jornal e o clube: basta recortar o cupão da capa e trocá-lo por um bilhete para assistir à partida. É isso mesmo: a edição de hoje do Correio do Minho oferece bilhetes para o jogo de amanhã do Braga. Em troca, o leitor leva com seis páginas de vivas ao presidente. Parcerias.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Estou ultrapassada...















"Blogging is dying."

Pois é, agora que criei um blogue, Charles Arthur sentencia-o a uma morte precoce na edição online do Guardian.
Parece que as pessoas querem coisas mais simples e resumidas, como o Twitter ou o Facebook.
Ora bem, se já não há sequer vontade para ler um post de um blogue, pobres dos jornais, não se safam mesmo. Nem as versões online, que por este andar também não vão ter leitores.
Mas se pensarmos pelo outro lado, pode ser que com a morte anunciada dos blogues se esfume também aquela estranha ligação entre blogues e Jornalismo, veiculada pela ideia do "Jornalismo Cidadão" (seja lá o que isso for). Ou então...
...ou então o Jornalismo, em vez de estar nos blogues, como alguns agora advogam, passará a estar pelo Twitter, a ficar-se pelo Twitter, a limitar-se ao Twitter...
Felizmente, esse tempo ainda não chegou. Aqueles que já prevêem o fim da imprensa há algum tempo ainda vão ter de esperar que os leitores deixem de querer informação com profundidade e humanidade, o que, até agora, não aconteceu.

P.S.: Encontrei o texto do sr. Arthur no twitter. Ah pois...