sábado, 17 de outubro de 2009

Há sempre alguém que resiste...





...e ontem foram muitos os resistentes. O Piano Bar do Clube Literário do Porto não chegou para albergar todos aqueles que se quiseram juntar ao tributo a Adriano Correia de Oliveira. A voz magnífica de Helena Sarmento trouxe-nos a Menina dos Olhos Tristes, o Grupo de Fados do Instituto Superior de Engenharia do Porto presenteou-nos com um original feito a partir do poema As Mãos, que Adriano tão bem cantou e o Zeca, amigo e companheiro de canções, não foi esquecido. O público ajudou e entoou o Menino do Bairro Negro, a Lira e a noite fechou, como não podia deixar de ser, com a Trova do Vento que Passa.
Adriano Correia de Oliveira morreu há 27 anos. Cabe-nos mantê-lo vivo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Green Mile existe...


A triste e revoltante história de Joaquín José Martínez chegou esta semana à imprensa portuguesa. Depois de uma longa batalha judicial, este equatoriano (quem sabe, a nacionalidade não é um factor tão insignificante...) conseguiu finalmente ver revogada a sentença que o condenara à morte numa prisão dos EUA. Durante três anos de martírio, Joaquín Martínez viu por diversas vezes as luzes da prisão a acender e a apagar sempre que a cadeira eléctrica era ligada para ceifar mais uma vida. Cadeira eléctrica em 1997...nos Estados Unidos... Depois as avarias, as cadeiras que funcionavam mal (perfeitamente desculpável, afinal qual é o sistema que não tem falhas?!) e as pessoas ardiam. Ainda em 1997. Depois lá chegou a injecção letal, vá... Agora, Joaquín refez a sua vida e está optimista: acha que os EUA vão juntar-se ao grupo de países abolicionistas. Assim seja.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Primeiro Zeca, agora Adriano




Na minha curta estadia no Porto, fui duas vezes ao Clube Literário (CLP). O motivo foi o mesmo: Zeca. Sim, sim, eu caio na repetição em certas coisas, mas já que (quase) ninguém fala nisto, hão-de perdoar-me a insistência.
Esbarrei no CLP num passeio nocturno pela baixa, e na montra decorada com a fotobiografia e livros de poemas do Zeca. Informei-me e fui a duas sessões.
Na próxima sexta, esta casa volta a homenagear um grande músico português, ainda mais esquecido que o Zeca, talvez por ter morrido cedo, talvez não.
Parabéns ao CLP pelo esforço de os manter vivos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Amália (e outros) FM









Por estes dias em que se assinalam os 10 anos da morte de Amália, nasce uma estação de rádio que a homenageia. Nem só da fadista que cantava o seu próprio nome se faz a rádio alojada em 92.0, pois há lugar para outras vozes e outros tempos, mas o nome já diz muito.
A intenção de prestar tributo e de não deixar cair no esquecimento a diva que projectou a música portuguesa numa época em que Portugal estava arredado do mundo é sempre louvável, mas se calhar...convinha começar a mudar de ares. Vejamos: uma nova rádio, o sucesso estrondoso dos Amália Hoje, o filme que deu série, os programas televisivos... Muito se tem falado de Amália. Ao mesmo tempo, outros caem no esquecimento. Por que razão é que os 80 anos de Zeca Afonso, que se comemoram este ano (é, é, os que não se aperceberam ficam agora a saber) são tão pouco divulgados? Caramba, não estamos a falar de um poeta e músico extraordinariamente multifacetado, que a própria Amália elogiou (pois é)? O que se faz para preservar a memória de um poeta que tanto nos enriqueceu e que tanto SOFREU para ajudar a construir um país melhor? Faz a Associação José Afonso, honra lhe seja feita, que aqui e ali vai tentando impedir que a memória do Zeca se perca, e esbarrando nas barreiras montadas por aqueles a quem o Zeca não interessa, para não dizer pior. E que mediatização teve o projecto de Cristina Branco, em relação aos Amália Hoje? Pois...
Já agora, o Zeca cantava fado, uns belíssimos Fados de Coimbra, ponto de partida para a longa e inigualável carreira. Também terão lugar na nova estação de fado?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A arte de fazer roteiros


















O caderno P2 do PÚBLICO traz-nos diariamente uma extensa agenda com os mais variados espectáculos, programação televisiva, cinematográfica, reportagens alargadas, etc. Alguns desses eventos são alvo de especial atenção, passando para a coluna do destaque (do lado esquerdo da página) ou merecendo um destaque interior (ficha técnica + pequeno texto). Isto é feito a partir dos comunicados recebidos dos gabinetes de imprensa das salas de espectáculo, geralmente. Papinha feita, dir-me-iam. Quase. Recuperando a expressão usada por Jerónimo de Sousa nos Gato Fedorento, eu percebo tanto de...vamos lá ver...ópera como de "lagares de azeite". É como andar em tijoleira molhada. Ou damos passos cuidadosos ou esparramamo-nos. Mas e o comunicado? Não tem tudo? Pois, mas aqui temos duas opções. A primeira, da tijoleira seca, é fazer uma espécie de copy/paste do comunicado, o que me parece muito feio, a bem dizer. Não é bonito assumir que foi o jornal a escrever aquele texto quando o mais próximo da verdade seria dizer que foi feito pelo gabinete de imprensa do teatro X. A outra opção é interpretar e dar a volta ao texto, e quem sabe ir buscar informação extra, se ainda couber nos 800, máximo 1000 caracteres. E aqui a escorregadela pode surgir a qualquer momento.

EUA, 15 de Setembro de (pasme-se!) 2009!




Tanta coisa nos traz à cabeça a expressão "em pleno século XXI". Que me tenha apercebido, o facto de a pena de morte continuar a ser uma realidade em países ditos desenvolvidos e evoluídos não consta propriamente do top da lista. Há até quem defenda, num país pioneiro no abolicionismo como Portugal, o seu regresso (oxalá o nosso sistema judicial tendencialmente garantista nunca volte a permitir tamanha atrocidade).
Ainda que a pena de morte continue a ser uma realidade, aqui e ali, de oriente a ocidente, com técnicas mais ou menos aviltantes, dependendo do local onde ocorre como é possível que um país que tem a pretensão de melhorar a vida de cidadãos iraquianos, afegãos e sabe-se lá mais a quem (não interessa os métodos, não é?) pode permitir tamanho atentado à dignidade humana dentro de portas?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Vida tão estranhamente boa



Banda sonora da partida para o Porto. A reviravolta quase a fez cair no esquecimento, até que a rádio a recordou.