sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Disco riscado














Isilda Pegado é uma mulher persistente, isso ninguém lhe tira. Mas a persistência dela cansa. Depois de aprovada a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a jurista ainda não se cansou de brandir com a bandeira do referendo. Mais uma vez, os seus argumentos giram em torno da "liberdade". Diz a senhora, citada hoje pelo PÚBLICO, que "só vai a referendo aquilo que o poder tem a certeza de ganhar", comparando o exemplo à actuação de Salazar aquando da aprovação da Constituição de 1933.
Se Isilda está tão preocupada com a liberdade do povo, por que quer usar essa liberdade para dar uma machadada nas liberdades cívicas dos homossexuais?

(A foto é de Pedro Cunha)

domingo, 31 de Janeiro de 2010

O que aconteceu e o que podia ter acontecido



Joan Didion faz questão de nos lembrar que o seu drama podia ser o nosso. "Podia-vos ter acontecido", repete Eunice Muñoz em várias passagens de O Ano do Pensamento Mágico, peça através da qual Joan nos relata o ano que se seguiu à morte do marido e da filha. A certa altura, Joan tenta tranquilizar-nos, dizendo que não significa que vá mesmo acontecer. Mas a semente está lançada. No palco, vemos Eunice e imaginamos Joan, mundo desmoronado. O realismo da situação, do qual os pormenores das doenças e autópsia não nos permitem escapar, colocam-nos perante a tragédia, perante uma tragédia que podia ser a nossa.
O trabalho de Joan mostra-nos a forma que aquela mulher encontrou de enfrentar a dureza da perda, e mostra-nos a capacidade de partilhar essa dor connosco e com todas as "Eunices" que a encarnaram. E nós, que faríamos?

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

A carne de cão, a carne de vaca e os falsos moralismos













Chegou-me por email a notícia de que a China está prestes a proibir o consumo de carne de cão e gato. Parece que já há jusristas a trabalhar num projecto-lei que prevê a aplicação de coimas até 5 mil euros e 15 dias de detenção a quem prevaricar.
Sempre que o assunto é o consumo de animais (para nós) de estimação, vejo repetirem-se as palavras de desaprovação e choque. Alguém é capaz de me explicar por quê? Entendo perfeitamente que seja difícil conceber a ideia de degustar um pitéu feito com o Bobby lá de casa, o que não me entra é o facto de haver quem se ache no direito de apontar o dedo a essa prática, quando o "apontador" é também consumidor de animais que sofrem as mais inimagináveis torturas antes de chegarem aos respectivos pratos. Uma visitinha a alguns matadouros e aviários talvez abrisse os olhos a muita gente. "Olha-m'esta a pregar o vegetarianismo", pensam vocês. Não (não é que seja má ideia, mas não é esse o objectivo primordial). Era só mesmo apelar ao respeito e a não entrar por falsos moralismos.

Quanto ao impacto e motivações para a medida chinesa, muito poderá especular-se. Tentativa de ocidentalização, ou pelo menos de sossegar os ânimos falsamente moralistas aqui do ocidente? E o impacto? Como serão tratados os bichos se o consumo passar a ser clandestino? O que os olhos não vêem...

A notícia pode ser consultada aqui


A foto foi "pescada" do blogue Respeito à Natureza

domingo, 17 de Janeiro de 2010

Hoje apetece-me isto...

quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Regressos


















Custa interiorizar a ideia de deixar algo que nos marca profundamente. Confesso: sou saudosista. Guardo papéis, papelinhos, papelões, tralhas, lixo, no fundo, mas ao menos é lixo com história. Vejo-me à rasca para deitar fora jornais que não quero amputar fazendo recortes e que se vão avolumando de uma forma que torna penosa a ideia de fazer os ditos. Não faço bases de dados digitais e também não há nada nada como o toque e o cheiro para nos levar de volta àqueles momentos.
E é ainda com a cabeça nos maravilhosos três meses que findaram em Dezembro que me encontro em processo de readaptação. A ABRA voltou, a Universidade está a voltar e agora é mergulhar nos livros novamente até sair daqui um relatório sobre...os três maravilhosos meses. Porque infelizmente não basta vivê-los. Depois...depois é tentar repeti-los aqui e ali.

(A imagem foi retirada do blogue Janela de Cima)

quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Arrumar, despedir, partir...



É agora. É amanhã, mas já cheira a despedida, até porque o ritual já começou.
Dizer "adeus" nunca foi comigo, e despedir-me de um período de grande realização profissional (sim, é um estágio, e depois?) é uma tarefa particularmente espinhosa. Junte-se a isso a despedida de todas as pessoas que povoaram e/ou protagonizaram o dito período e temos pretexto para Prozac. Dificilmente imaginaria que iria guardar tão boas memórias de tão curto período, mas felizmente assim é.
Resta o consolo de não cortar de vez, de manter uma porta aberta para...logo se verá.
Até sempre, Público!

Uma falha...tectónica!



O sismo da noite passada despertou em mim um desejo antigo: sentir um abalo sísmico. Fraquinho, vá, não pensem que gostaria de ter estado em Lisboa no dia 1 de Novembro de 1755.
Passei anos a ouvir recomendações sobre "como proceder em caso de sismo", mas só nos bancos da escola. Sentir o chão a tremer é que está de grilo. Já ouvi relatos de quem tenha dado por eles, mas talvez um sono pesado me tenha impedido de me deixar "embalar" pela força da Natureza.
Continuo à espera que as placas tectónicas se lembrem de mim, mas sem violência, pode ser?